25 de agosto de 2026

Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware



Literatura Inglesa
Título Original: In a Dark Dark Wood
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Edição de: 2016
Páginas: 288

7ª leitura de 2026 (5ª resenha do ano)

Sinopse: Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.





Geralmente, opto por colocar a sinopse da Amazon (quando leio em e-book e não tenho o livro físico para verificar a contracapa, como é o caso deste livro), mas a achei muito reveladora e fiquei feliz por não tê-la lido antes da leitura da história.kkkk Por isso, preferi colocar a sinopse que se encontra no Skoob. 

Sei que desapareci por vários meses, mas é como falei no post de início de ano: no meio de toda a correria do dia a dia, do trabalho e muitos estudos, não estou mais me desesperando. Estou levando as leituras com leveza e não irei fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Ler tem que ser um prazer acima de tudo. Acima da aquisição de conhecimento, das reflexões que determinadas obras possam provocar, dos estudos literários de algumas leituras escolhidas para serem estudadas... Tem que ser algo que me faça bem. A vida é curta demais para que eu transforme algo que amo tanto (que são os livros, minha eterna paixão) em peso. Que me cobre prazos, metas rígidas, para acabar me frustrando e desgastando. Já fiz muito isso e decidi que não faria mais. 

Então, vamos à história!

Em um bosque muito escuro é um suspense que não chego a considerar um thriller psicológico. Ele se desenvolve em torno de Nora, a jovem escritora de 26 anos, que vive praticamente reclusa, entre as quatro paredes do seu pequeno apartamento. O livro indica que ela tem uma certa amizade com Nina, colega da época de escola, mas vivem uma longe da outra, o que acaba por ser conveniente à necessidade de solitude de Nora. 

Isso não me provocou nenhuma estranheza. Porque me pareço com a personagem quanto a não gostar de uma vida agitada, de ficar encontrando com as pessoas, estar sempre na companhia de alguém. Eu gosto de estar sozinha, mas não de ser sozinha. Tenho amigos, mas sou a pessoa que prefere que o contato seja por telefone, WhatsApp. Encontros presenciais só de maneira bem ocasional. Gosto do silêncio do meu quarto, de "ouvir" o silêncio ou ouvir minhas músicas, aceitando e apreciando minha própria companhia. É uma forma de buscar a paz interior, refletir... Durante uma boa parte da minha vida me obriguei a contatos mais presenciais porque parecia o normal, o esperado, o aceitável. E isso sempre me sobrecarregava, ao ponto de me adoecer. Porque minha personalidade não combina com ambientes agitados, muito barulho, muita gente. Isso causa sobrecarga sensorial intensa em mim. 

Então, como disse, entendo demais a Nora. Ela precisa do seu espaço seguro, do seu refúgio. De estar consigo mesma. E isso para mim é completamente normal. Só que ao longo do desenvolvimento da história percebemos que a vida que a protagonista leva não é consequência apenas de sua personalidade, de sua necessidade de silêncio e paz. É também fruto de traumas provocados ainda na infância...

Era para ser mais um dia comum, de rotina conhecida e segura. Até que Nora recebe um e-mail totalmente inesperado. Um convite para a despedida de solteira de Clare, sua melhor amiga de infância, que ela não via fazia dez anos...

Desde que fugira de sua cidade, aos dezesseis anos, não manteve contato com ninguém, exceto Nina, excluindo de sua vida Clare e as demais pessoas. Sem explicação. Sem desculpas ou porquês. Simplesmente seguiu em frente... Assim, não entendia o motivo daquele convite e pensou seriamente em recusar. 

Mas... No fundo, sabia que as coisas entre ela e Clare ficaram indefinidas. Não foi um rompimento de amizade comum. Era como se tudo tivesse ficado em pausa. O que despertava sua curiosidade e também um sentimento que não sabia nomear... Queria recusar e continuar com sua vida, mas um outro lado seu entendia que talvez aquela fosse a oportunidade de ter uma conversa, de fechar aquele capítulo do seu passado. Só que... Por quê? Por que Clare a procurava depois de tanto tempo? E por que a convidava para a despedida de solteira, mas não para o casamento? 

Mesmo com dúvidas e receios, Nora decide aceitar o convite e segue com Nina, que também havia sido convidada, para uma casa de campo no meio do nada, completamente isolada, onde ela encontra outros três amigos de Clare que também participariam da sua despedida de solteira. Ao todo, seriam seis pessoas, contando com a noiva. Uma festa muito restrita, que começa a dar errado logo no início...

Cerca de 48 horas depois do início daquele final de semana de pesadelo, Nora desperta em um hospital, sem lembranças dos minutos que antecederam o acidente de carro do qual foi vítima. Só sabia que estava com muito sangue, um sangue que não era seu e que... uma pessoa estava morta. 

E se não quisesse ser acusada de homicídio precisaria lembrar... Lembrar o que acontecera naquela floresta...

Fazia muito tempo que um livro não me prendia desta forma. Estou lendo dez livros no momento (no meu ritmo, uns estou lendo há vários meses) e não sinto o desespero de terminá-los como senti com este. Eu não aguentava esperar para ler o próximo capítulo. Era para ser uma leitura em dupla, ao longo de quatro semanas, com uma amiga. Combinamos que leríamos 09 capítulos por semana.kkkkk Isto foi completamente impossível! Devorei o livro. Passei horas e horas da madrugada lendo e só me dei por satisfeita quando terminei. Eu já imaginava quem era o assassino e suas motivações, mas isso não tornou o livro menos interessante. Porque queria saber como tudo terminaria, torcendo muito para que Nora sobrevivesse. 

Ah, mas falando assim você já está descartando a Nora como culpada e isso é spoiler para quem não leu!rsrs De jeito nenhum! O fato de eu desejar e torcer para que ela chegasse ao fim viva, não significa automaticamente que ela não é o assassino. Vocês precisarão ler para saber. 

Após terminar a leitura e atualizar o Skoob, vi que tem muita gente que não apreciou o livro, que se decepcionou... Eu amei a história! Pensei um pouco antes de dar estrelas, analisei tudo o que a história provocou em mim durante a leitura e não achei que seria justo dar menos que 5 estrelas. Não encontrei furos na narrativa. Algumas atitudes da protagonista nos fazem querer sacudi-la, inclusive o fato de ela ter aceitado o maldito convite, mas são atitudes críveis, que qualquer pessoa pode ter. Nora me pareceu muito real, com dúvidas, medos, traumas, erros e acertos como qualquer pessoa. Então, analisando o livro como um todo o considero perfeitamente digno de 5 estrelas. E talvez seja uma das poucas a pensar assim. Só que leitura é algo bem pessoal. Só devemos ler um livro através dos nossos próprios olhos e não dos outros. Nossa opinião, nossa impressão de um livro deve ser baseada em nossa própria experiência de leitura. A vida é mais simples assim.rs


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro policial/suspense/detetive


12 de fevereiro de 2026

A Filha do Conde - Lorraine Heath



Literatura Inglesa
Título Original: The Scoundrel in Her Bed
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin 
Edição de: 2020
Páginas: 304
Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 3

4ª leitura de 2026

Sinopse: FINN TREWLOVE cresceu como um bastardo, nunca tendo conhecido sua mãe ou tido qualquer contato com o pai. Quando viu Lady Lavínia pela primeira vez, se encantou pela dama. Ele sabia, porém, que era um território proibido - afinal, ela era a filha de um conde, e ele não passava de um plebeu. Entretanto, contrariando todas as expectativas, o casal vive uma linda história de amor durante a juventude. Mas as circunstâncias do destino acabam os separando, deixando Finn e Lavínia desolados e revoltados um com o outro por não saberem os reais motivos do triste fim. Oito anos depois, eles se reencontram e descobrem a verdade sobre o que os separou. E agora querem reconquistar o tempo perdido.



Depois de tanto tempo sem ler meus queridos romances de época, já deu para perceber que estou numa fase voltada para eles. É o quarto romance de época que leio este ano e ainda estamos em fevereiro.rsrs

Lorraine Heath, sem sombra de dúvidas, é uma grande escritora. Li o primeiro livro desta série em 2018 e o segundo em 2020. E algo que nunca esqueci foi o quanto o tema abordado pela autora mexeu comigo naquela época e continuava mexendo sempre que eu lembrava da série: a entrega de crianças para serem "esquecidas". Quando uso a palavra "esquecida", estou usando uma palavra menos forte para falar do que realmente acontecia. No final do primeiro livro, a autora fala claramente sobre a prática criminosa, hedionda, que era muito conhecida e utilizada para que pessoas se livrassem dos filhos não desejados. O romance do primeiro livro se constrói em torno desse tema, o segundo livro também... mas o terceiro nos atinge mais forte. 

Lavínia tinha apenas 15 anos quando o conheceu... Deveria tê-lo odiado, pois ele estava lhe tirando sua égua preciosa, sua Sophie, conforme as ordens do pai dela. E, de fato, o detestara no início. Mas ele demonstrou que não era o tipo de pessoa que ela pensava. Que existia dentro do seu peito um coração sensível... que se importava. 

Finn tinha 21 anos. Seis anos mais velho que Lavínia e embora tenha ficado fascinado por ela ao conhecê-la, não foi mais que um amigo ao longo dos dois anos que se seguiram. Ao atingir os 17 anos, ela estava com idade suficiente para ser apresentada à sociedade e se casar, como era o costume de sua época. E Lavínia estava prometida, desde o seu nascimento, a um homem que era onze anos mais velho que ela. Mas ela nunca reclamara e aceitava o seu destino, traçado sem que lhe tivessem perguntado nada e sem que se importassem com a sua vontade. Pelo menos seu futuro marido era jovem ainda e muito bonito, também parecia gentil... Mas... a amava?! Claro que não. Quase não a viu ao longo dos anos que se passaram até que ela atingisse os dezessete anos. Não seria um casamento por amor. Seria o cumprimento de um acordo feito por sua família, ao decidir o destino dela

Ela acreditava que estava conformada com a vida que levava, prisioneira de uma realidade que não escolhera. Com cada decisão sendo tomada sem considerar sua opinião. Mas os dois anos de amizade com Finn mudaram algo em seu interior. Ele era diferente dos jovens de seu convívio. Não parecia vê-la como um troféu ou a "dama perfeita" para um casamento de conveniência, no qual sentimentos não eram levados em conta. Finn a enxergava, a ouvia e respeitava. Ao estar com ele, conversar com ele, ouvir seus sonhos e planos para o futuro, compartilhar seus próprios sonhos, Lavínia se sentia livre, como jamais tinha sido. 

Foi mágico quando a amizade se transformou em amor. Quando viveram a primeira noite... que era a primeira vez para os dois, descobrindo juntos a paixão e acreditando que seriam fortes o suficiente para lutar contra o mundo, se necessário. Mas o conto de fadas teve um final terrível... 

Oito anos depois, não eram nem sombra dos jovens apaixonados de outrora. Ambos carregavam marcas profundas daquele término e de tudo o que se seguiu. Foram oito anos de ressentimentos, um acreditando que tinha sido abandonado pelo outro... Mas quando a verdade vier à tona, talvez ela não signifique uma libertação... ou uma segunda chance. Talvez reabra feridas ainda não cicatrizadas. 

Ao ler A Filha do Conde, tive poucos momentos de alegria. Foram poucos os momentos de leveza para o meu coração, em que pude sorrir com o casal. O livro já começa com uma cena bem forte e cruel. Só que demorei algum tempo para compreender de que personagem se tratava. Imaginei que fosse outra personagem e não aquela. E quando percebi, quis acreditar que estava enganada, que a autora demonstraria que eu tinha errado... Eu estava certa. E chorei bastante com esta história. 

Não consigo falar do livro sem sentir todo o peso que ele provocou em mim. Não é um daqueles livros para passar o tempo sorrindo e se encantando. O casal tem momentos de felicidade, são dois personagens envolventes. Mas tudo o que lhes aconteceu foi terrível. Eles passaram por muitas coisas e a pior delas não teve volta. O coração dos dois nunca estaria inteiramente curado porque o tempo não retornaria para devolver algo precioso que foi perdido. E isso dilacerou o meu coração. A reta final da história me deixou arrasada. Sei que eles encontraram um caminho para a felicidade. Para o seu "E viveram felizes para sempre", mas... Não dá, queridos. Eu não consigo superar o que lhes foi roubado e a forma como tiveram que tomar a decisão menos injusta por amor. Uma decisão que deixava uma ferida aberta no peito. 

Meu sangue ferveu tanto com o que fizeram com esse casal! No lugar da Lavínia, eu provavelmente faria bem pior do que ela fez. Ainda sinto muita revolta. E isso não vai passar. Sempre que eu lembrar dessa história sentirei o mesmo. A sensação de extrema injustiça, de vida despedaçada, de oportunidade perdida... A sensação de que foi roubado do casal algo que nunca poderia se recuperado.


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro lançado até 2020


Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove

3. A Filha do Conde
4. A Sedução da Duquesa
5. Fascínio da Nobreza
6. A Tentação do Bastardo



28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



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